quinta-feira, 20 de maio de 2010

Conversa com Drummond

Boa noite, Drummond. Tudo bem?
Conversei com o Vinícius esses dias, e sabe que a conversa foi boa? Até repercutiu um pouco! Inspirei comentários que um dia, quem sabe, aparecem neste blog ou no meu email. Vinícius não respondeu, ele mais me ouviu, e acredito que você vá fazer o mesmo. Mas de novo, como falei pra ele, vale a reflexão.

Com você, Drummond, eu queria falar da memória.
Você é sábio, meu xará: amar o perdido deixa confundido qualquer coração, não só o seu.
Perder nos remete à frustração, e àquela incomensurável vontade de vencer e ser feliz. Nós somos treinados desde cedo para sermos vencedores, e perder em qualquer jogo, inclusive o do amor, confunde até aquele que parece invulnerável. Ilusão, não? Acharmos que somos invencíveis!

Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não. Nem o olvido, o esquecido, nem ninguém pode contra o apelo do Não. É ele quem define a possibilidade de se tentar novamente. E o tragi-cômico dessas 3 letras é que elas podem definir uma vida, desmontando ou enchendo de esperança.

As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão. Não há o toque, nem o abraço, nem o beijo. Mas discordo de uma coisa nessa intangibilidade, Drummond. Ainda há a memória de tudo isso. A memória não some ainda. Com o tempo, a memória se confunde um pouco, mas os momentos mais vívidos, mas fortes, intensos, permanecem ali, tangíveis a seu modo.

Você mesmo suporta minha discordância quando completa que as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão. Isso mesmo, ficarão na memória. Infinitas e durando pra sempre. Eternas.