sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Guia do Viajante das Galáxias

Isso mesmo, o meu é do viajante porque não tenho mais idade nem disposição pra ser mochileiro.
E nada que um mínimo de organização não resolva pra fazer uma viagem decente.

Andes (Chile-Argentina), 2008
Depois das minhas aventuras nos últimos anos, eu fui ganhando a fama de "viajador". Aí veio 2010, ano de tsunami, e eu fiz juz à fama. Foi então que alguns amigos começaram a perguntar como é que eu tinha feito para viajar tanto, como eu me organizava, o que eu inventei dessa vez.
Eu não re-inventei a roda. E viajar é mais simples do que se pode imaginar.
O que eu fiz foi me planejar com antecedência, mas mantendo a flexibilidade porque os planos podem mudar a qualquer momento e imprevistos acontecem.
Vou tentar simplificar, sem ser simplista, e se esse post se transformar em uma troca de experiências, eu me dou por satisfeito.

1) Onde?
Primeiro, óbvio, decida para onde você quer ir.
Depois de escolher o lugar, comece com a pesquisa prévia: mapas, guias, internet, Google Maps, Tripadvisor, amigos, parentes. Se você já conhece uma agência de viagens de sua confiança, converse com o agente e peça dicas.
O Tripadvisor é um site bem útil por oferecer opções de cotação de hotéis em vários sites ao mesmo tempo. Além disso, são os próprios usuários que avaliam os hotéis, restaurantes e atrações nas cidades, o que facilita para evitar de cair num hotel ruim e outras roubadas que acontecem.
"Estude" um pouco antes de ir, mesmo que seja um mínimo, só para não chegar totalmente perdido em um lugar. Você pode perder tempo de diversão tentando se situar na cidade. A não ser, claro, se o objetivo seja se perder no começo mesmo, oras.

2) Quanto?
Quanto levo? Quanto vou gastar? Essas perguntas aparecem no começo. Eu respondo: leve mais do que você acha que vai gastar, porque sua viagem vai sair sempre um pouco mais do que você planejou. Tem situações que aparecem na viagem e que só vão surgir uma vez na vida. Se você deixar de aproveitá-las, elas podem nunca mais voltar.
E como faz para juntar dinheiro? Pra mim funciona assim: eu encaro aquilo como uma conta a pagar todo mês. Para fazer estas viagens em 2010, eu vinha guardando dinheiro aos poucos desde agosto de 2007. Criei uma poupança e ia depositando os dinheiros extra que iam aparecendo. Fosse o valor que fosse. Na metade de 2009, eu planejei uma surpresa (que não vem ao caso explicar aqui), e resolvi mudar o jeito de juntar. Um amigo comentou sobre o Visa Travel Money e a facilidade que era usar esse tipo de cartão. Saquei o dinheiro e comprei Euros no cartão para Euros, e ali fui juntando até junho deste ano, quando troquei para o cartão de dólares. Perdi pouquíssimo na cotação porque consegui seguir a flutuação da moeda e vendi bem os euros pra comprar dólar em baixa.
Existem três tipos de cartão Visa Travel Money: um para Euros, outro para Libras e um terceiro para dólares. Assim, você acumula o valor na moeda que desejar. Entretanto, independentemente do cartão, você pode usar o valor que está ali em qualquer lugar do mundo. Ele pode ser usado como cartão de débito, e desconta o valor diretamente da quantia do cartão sem cobrar taxas. Se você faz um saque, paga uma taxa que varia de local para local. Nos EUA, a taxa varia de U$ 2.50 a U$ 5.00, dependendo do caixa automático onde você efetua o saque. Eu usei somente como débito e é muito fácil de controlar.
Você pode até consultar o extrato e quanto tem de crédito através do site do cartão. O que eu usei, adquiri em uma casa de câmbio chamada Fitta, e a consulta é feita no site: http://www.fittacambiofacil.com.br/cashpassport
O fundamental é ter um mínimo de foco e guardar mesmo que seja aos poucos para fazer uma viagem inesquecível.

3) Milhas
Um jeito muito prático para adquirir passagens aéreas é usar milhas através dos programas de fidelidade que todas elas oferecem. O primeiro passo é se inscrever nos programas, claro. Acesse os sites das empresas aéreas e cadastre-se em todas aquelas que pretende voar. Elas não cobram pelo cartão e o cadastro é fácil e rápido.
O segundo passo é dar um jeito de ganhar milhas. Eu faço o seguinte: mudei meus hábitos financeiros e concentro todas as minhas despesas no cartão de crédito. Assim vou acumulando pontos no programa de fidelidade do cartão, e depois transfiro para os programas da TAM ou da GOL. Eu acho esse um dos jeitos mais práticos, porque despesas todos temos, mas nem sempre ganhamos nada em troca por elas. Existem bancos e cartões que dão pontos até em cartão de débito. Eu continuo no crédito e assim vou juntando para ter quase todo ano o suficiente para trocar por passagens.
Um detalhe importante é saber usar as milhas:
- se você só tem milhas suficientes para um trecho, deixe-as guardadas por mais um tempo. Uma passagem só de um trecho só (ida OU volta) é bem mais cara, então acaba não valendo a pena.
- não use milhas para trechos curtos. Por exemplo: com 20.000 da TAM, você pode ir e voltar para qualquer lugar da América (Sul ou Norte)  Então não troque por uma viagem Curitiba-São Paulo quando você poderia trocar por São Paulo-New York.

4) Seja flexível!
Esteja preparado para imprevistos, porque eles acontecem! Desde uma troca de destino até viagens imperdíveis de última hora. Eu citei isso porque ambos aconteceram comigo este ano, e você só precisa respirar fundo e tomar a decisão que lhe parecer mais correta. Eu refiz tudo o que já estava planejado e procurei aproveitar ao máximo os meus novos planos. Consegui! Basta ver as fotos.

5) Permita-se!
Sonhe alto! O mundo é vasto e você merece conhecer o máximo de lugares! Relaxe e aproveite cada momento, porque eles são unicamente seus. Pare e curta. Sente numa praça, deite na grama. Olhe e respire. Segure na mão, nem que seja escondido. Abrace.

6) Vá acompanhado ou sozinho.
Viajar sozinho é completamente diferente de viajar acompanhado, mas é tão bom quanto. Se isso lhe parece difícil, comece fazendo mais coisas sozinho, mas não deixe de fazer ao menos uma viagem sozinho na vida. Você vai perceber o quão interessante você é, e que se você se tolera, qualquer outra pessoa que lhe mereça também terá prazer em lhe acompanhar.
Se for acompanhado de uma pessoa especial, seja criativo e transforme as pequenas coisas em momentos inesquecíveis.
Se for em grupo, divirta-se! Grupos são mais difíceis de administrar, porque nem todo mundo quer fazer a mesma coisa. Quando se está a dois, tendemos a ceder mais para agradar do que quando estamos em grupo.  Minha dica é: se a convivência no grupo está difícil, se entrose com grupos menores que tem afinidade, ou faça uns vôos solo de vez em quando, enquanto o restante do grupo faz algo que não lhe apetece. Só não perca uma viagem por se estressar com outras pessoas.

7) Você merece conhecer o mundo, porque é isso que você vai levar quando sua história aqui terminar.
"Caixão não tem gaveta". O que você vai levar daqui é o que você viveu. Tenha ambição para crescer, mas não para acumular. Não perca tempo com mesquinharia.

8) Tire muitas fotos.
Mesmo que seja com seu celular! Eu já fiz um desafio para mim mesmo e só tirei fotos no Chile com meu celular. Nem todas ficaram boas, mas foi uma das coisas mais práticas que já fiz.
Abuse das fotos. Elas ficam mesmo depois que tudo muda, e podem até servir de base pra uma próxima viagem!

Pra finalizar, deixo minhas últimas dicas, mais rápidas e diretas.
Dica 1 : nunca deixe pra trás um jantar no Faena em Buenos Aires.
Dica 2: ande uma quadra além do Chelsea Market e conheça a Highline.
Dica 3: visite uma vez o Canal do Panamá.
Dica 4: Para conhecer Las Vegas, não use mais que 3 dias, a não ser que queria torrar nas piscinas. Nesse caso, use 5 dias.
Dica 5: New York sempre terá coisas diferentes a cada ida.
Dica 6: Neve é água. Se sua meia molha, seu pé congela. Mas se você tiver sede, pegue um punhado mais de cima que ainda é água limpa.
Dica 7: Ushuaia tem neve de abril a outubro, enquanto as outras estações abrem entre junho ou julho até setembro.
Dica 8: viajar na baixa estação é sempre mais barato que na alta. Inclusive para usar milhas.
Dica 9: Belém é longe, mas é divertida! Salvador, nem tanto.
Dica 10: São Paulo tem diversão, gastronomia e cultura, mas não se iluda, não é NY.
Dica 11: Se você lê inglês, use os guias da Lonely Planet da série Encounters. São pequenos e objetivos.