segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dois anos de São Paulo

Voou.
O tempo voou.
Já comecei outro post assim pra falar algo parecido, mas é o melhor início pra este assunto.
E acho que a foto ao lado é o que sintetiza essa ideia.

Eu parei de contar datas, porque perdeu a graça, mas hoje eu lembrei que há dois anos atrás, eu me joguei na aventura mais tola da minha vida. Calma, lê aí que dá pra entender.

Ia deitar agora e lembrei que dia 16/01/10, eu fui atrás do que julgava certo. Enchi o carro que eu tinha até o teto com minhas coisas, dei uma chorada na saída quando me despedi dos meus pais, e fui, bonitão, encarar a vida.

Deu tudo errado.


Três meses depois, eu estava sem casa e sem rumo, "preso" em Sampa por um trabalho que eu não sabia ainda no que ia dar, com um MBA na FGV que eu não sabia se era o que eu queria e desnorteado com a pior situação que já enfrentei na vida até hoje. Sério, sem exagero.
Mas me joguei no trabalho, viajei sem parar entre Curitiba-São Paulo semanalmente a trabalho, fui pra Vegas também a trabalho, fui pra Ushuaia e pra Nova Iorque com amigos. Fiz terapia, tomei florais, acupuntura, academia, até limpeza de chacras e reequilíbrio energético eu fiz. Shirley MacLaine ficaria orgulhosa de mim. O engraçado é que tive vários insights e tudo que previ no 2010 holístico, aconteceu. Tudo, exatamente tudo, até o final de fevereiro de 2011, ou já estava escrito no destino, ou foi um mar de coincidências impressionantes.
Hoje eu rio. :-D
2010 voou junto comigo e eu mal o vi passar.

Entrou 2011 e já comecei viajando pra ver amigos em Brasília. Começou bem, com a vida se equilibrando. Mas como eu disse, eu tinha previsto acontecimentos até o começo de 2011, e sendo um bom profeta, eu só previ os acontecimentos, não os resultados. Caí na conversa de "bom moço" de novo, não respeitei meus limites e mais uma vez, no mesmo dia em abril, lá estava eu, o trouxa, desnorteado na cidade, pensando em pular da ponte ou voltar para Curitiba ou qualquer coisa que me tirasse dessa cidade que não era a que eu escolhi pra mim. São Paulo, naquele dia, era o inferno.

O ano voou mais que o anterior e eu o apelidei de "ano-zumbi". Passei por 2011 sem vivê-lo. Não foi um ano sofrido como 2010, mas não foi pra mim um ano alegre.
Conheci mais uns poucos amigos, não tive nenhum relacionamento sério, a possibilidade de ir pro Canadá não vingou, a vaga na Argentina foi cancelada e nada duradouro se estabeleceu.
Mantive o mesmo trabalho e, consequentemente, o hábito de viajar. Conheci mais algumas cidades, uma nova no exterior e só.
Se 2010 foi um ano holístico e místico, 2011 foi um ano frio e calculista. Não tenho previsões, não tenho magias, só constatações, dados, números e fatos. Tornei-me maniqueísta e não aceito tons de cinza.

Esse último ano em São Paulo me fez amadurecer na paulada, não só da boca pra fora. Sampa tem uma malícia que te pega de jeito se você não aprender a se virar rápido. Eu vi propina ser tratada como normal.  Você tira carteira de moto pagando a taxa do DETRAN e a taxa por fora pra não ter que fazer aulas. Eu sei que isso tem em qualquer lugar, mas só aqui eu vi isso ser tratado como normal e falado abertamente.
Percebi o deslumbramento das pessoas que passaram a ganhar bem. Vi o contágio do luxo, da vaidade e da futilidade. Não sou falso puritano, gosto de coisas boas, gosto de luxo e conforto, mas aprendi muito bem o limite da extravagância e o quanto custa o dinheiro. Ah, e o poder e o encantamento que ele tem. A cegueira do encantado é o mais fácil de identificar e o que me dá mais pena.

Estou craque em mudanças de casa. Já eram 10 em Curitiba, foram 5 em São Paulo. Joguei muita coisa fora, mas o que tenho, guardo e empacoto no máximo em meio dia. Se bobear, ainda compro um trailer.

Em dois anos, conheci mais teatros, museus, restaurantes e baladas do que nos três anos anteriores em que já frequentava a cidade. Tenho alguns poucos que ainda estão na lista do que quero conhecer, mas fiz um bom trabalho na varredura da cidade.

O ano que entrou parece ter boas perspectivas.
Dos amigos, vem restando só os fiéis escudeiros.
Dos sonhos, sobraram só os viáveis.
E sobrei eu.

Então, cidade da garoa, sejamos gentis um com o outro.
Façamos o seguinte pacto: eu não lhe abandono em 2012 e você me trata melhor. Combinado?
Estou louco pra falar bem de você no ano que vem.